homicídios de mulheres (Foto: Editoria de Arte/G1)

09/11/2015 09h11 – Atualizado em 09/11/2015 17h09 / www.jgmoreira.com.br

Números fazem parte do Mapa da Violência 2015 divulgados nesta segunda.
Em 2013, último ano do estudo, país teve 13 mulheres assassinadas por dia.

Do G1, em São Paulo

O estudo “Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres”, divulgado nesta segunda-feira (9), mostra que 50,3% das mortes violentas de mulheres no Brasil são cometidas por familiares. Desse total, 33,2% são parceiros ou ex-parceiros.

Unidades da Federação Taxas em 2013
Roraima 15,3
Espírito Santo 9,3
Alagoas 8,6
Goiás 8,6
Acre 8,3
Paraíba 6,4
Rondônia 6,3
Ceará 6,2
Mato Grosso do Sul 5,9
Bahia 5,8
Mato Grosso 5,8
Pará 5,8
Tocantins 5,7
Distrito Federal 5,6
Pernambuco 5,5
Rio Grande do Norte 5,3
Amazonas 5,3
Amapá 5,3
Paraná 5,2
Sergipe 5,1
Rio de Janeiro 4,5
Minas Gerais 4,2
Maranhão 3,8
Rio Grande do Sul 3,8
Santa Catarina 3,1
São Paulo 2,9
Piauí 2,9
*Homicídios de mulheres por 100 mil mulheres

Entre 1980 e 2013 foram assassinadas 106.093 mulheres, 4.762 só em 2013. O país tem uma taxa de 4,8 homicídios para cada 100 mil mulheres, a quinta maior do mundo, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) que avaliaram um grupo de 83 países.

O estudo é de autoria do sociólogo argentino Julio Jacobo Waiselfisz, radicado no Brasil, e analisa dados oficiais nacionais, estaduais e municipais sobre óbitos femininos no Brasil entre 1980 e 2013, passando ainda por registros de atendimentos médicos.

Entre 2003 e 2013, o número de homicídios de mulheres passou de 3.937 para 4.762, aumento de 21% no período. As 4.762 mortes em 2013, último ano do estudo, representam uma média de 13 mulheres assassinadas por dia.

Levando em consideração o crescimento da população feminina entre 2003 e 2013 (passou de 89,8 milhões para 99,8 milhões), a taxa de homicídio de mulheres saltou de 4,4% em 2003 para 4,8% em 2013, aumento de 8,8% no período.

Na análise por estados, Roraima viu sua taxa mais que quadruplicar (343,9%). Na Paraíba, subiu 229,2%. Entre 2006, ano da promulgação da lei Maria da Penha e 2013, apenas Rondônia, Espírito Santo, Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro registraram quedas nas taxas de homicídios de mulheres.

Mulheres negras
Enquanto o número de homicídio de mulheres brancas caiu 9,8% entre 2003 e 2013 (de 1.747 para 1.576), os casos envolvendo mulheres negras cresceram 54,2% no mesmo período, passando de 1.864 para 2.875.

A secretária Especial de Políticas para Mulheres, do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Eleonora Menicucci, disse serem “lamentáveis” os resultados apontados pelo Mapa.

O sociólogo argentino Julio Jacobo Waiselfisz, durante coletiva em Brasília (Foto: Gabriel Luiz/G1)O sociólogo argentino Julio Jacobo Waiselfisz, durante coletiva em Brasília (Foto: Gabriel Luiz/G1)

“É de entristecer todas as mulheres e homens de bem do nosso país”, afirmou. “Não podemos conviver em hipótese nenhuma com uma magnitude de 54% de aumento em dez anos no número de homicídios de mulheres negras e no número de homicídio de mulheres em geral.”

“A luta contra o racismo assumiu uma magnitude não só no Executivo do governo federal, mas também na própria sociedade”, continuou Eleonora. “As mulheres negras passaram a aparecer bonitas, elegantes, protagonistas das próprias vidas, mostrando que estão capazes de estar em qualquer lugar e isso incomoda muito”, completou.

Pequenos municípios
Os maiores índices de homicídios de mulheres são registrados nos pequenos municípios, e não nas capitais. A cidade de Barcelos (AM), com uma população feminina média de 11.958, registrou 45,2 homicídios por dez mil mulheres e é o primeiro da lista.

Depois, vem Alexânia (GO), com uma população feminina média de 11.947, que teve 25,1% mortes de mulheres por dez mil mulheres. Sooretama (ES), com população feminina média de 11.920, teve taxa de 21,8% e aparece em terceiro na lista.

Nenhuma capital aparece no ranking das 100 cidades com maiores taxas. A primeira capital na lista é Maceió (Alagoas), em 126º lugar, que registrou uma taxa de 9,8% homicídios de mulheres por 100 mil.

Entre 2003 e 2013, as taxas de homicídios de mulheres nos estados e no Distrito Federal cresceram 8,8%, enquanto nas capitais caíram 5,8%, evidenciado, segundo o estudo, a interiorização da violência, fenômeno observado em mapas anteriores.

Local do crime
Outro dado importante do estudo é o local do homicídio: 27,1% deles acontecem no domicílio da vítima, indicando a alta domesticidade dos assassinatos de mulheres. Outros 31,2% acontecem em via pública, e 25,2%, em estabelecimento de saúde.


Jefferson André Silva Marques, o ‘Pai’, foi apontado pelapolícia como líder de quadrilha de assaltantes (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Jefferson André, o ‘Pai’, foi apontado como líder de quadrilha de assaltantes (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

09/11/2015 16h09 – Atualizado em 09/11/2015 16h09 www.jgmoreira.com.br

Operação visava prender bando que agia no bairro Jaracati, em São Luís.
Jefferson André Silva, o Pai, teria ligação com homicídios, assalto e tráfico.

Dois homens morreram no começo da tarde desta segunda-feira (09) durante operação realizada pela Polícia Civil e Companhia de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar, no bairro Jaracati, em São Luís (MA). De acordo com a polícia, um deles seria líder de um grupo de assaltantes; os dois acabaram mortos durante troca de tiros.

Segundo o delegado Almir Macedo, titular do 9º Distrito da Polícia Civil, no São Francisco, a operação foi realizada com o intuito de desarticular o grupo responsável por roubar veículos, ônibus e tráfico de drogas na região do Jaracati.

O delegado afirma que uma das vítimas foi identificada como Jefferson André Silva Marques, o ‘Pai’, que seria o líder de um grupo de assaltantes, que atua no bairro e nas imediações. Ele seria um dos assaltantes que aparecem nas imagens de uma câmera de segurança roubando motoristas no começo de outubro.

“Ele é suspeito de ter matado uma pessoa e ‘desovado’ o corpo na área do mangue no Jaracati. Além disso, invadiu a casa e atirou cinco vezes contra uma senhora, porque esta seria namorada de um desafeto. Hoje viemos em parceria com a PM, fizemos o cerco e ele e parceiro Divineia (William Maicon Diniz Aragão) acabaram morrendo no confronto”, afirmou.

Os dois suspeitos foram localizados na praça do Viva do Jaracati e ao perceberem a aproximação dos policiais teriam fugido em direção ao mangue, próximo das palafitas. Lá, teria havido o confronto e a morte dos dois homens.

“Eles correram para o mangue, mas já sabíamos a rota deles, Os cercamos por dentro do mangue, eles saíram de frente com os policiais e acabaram morrendo no confronto”, finalizou Almir Macedo.


No fim de semana, 11 mortes foram registradas na Região Metropolitana (Foto: Flora Dolores / O Estado)

No fim de semana, 11 mortes foram registradas na Região Metropolitana (Foto: Flora Dolores / O Estado)

09/11/2015 07h59 – Atualizado em 09/11/2015 09h05/ www.jgmoreira.com.br

Somente no sábado (7), foram seis homicídios dolosos registrados.
No mês de novembro, já são 23 casos, segundo a SSP-MA.

Maurício ArayaDo G1 MA

Doze homicídios foram registrados nesse fim de semana na Região Metropolitana de São Luís (MA). De acordo com dados são da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), no mês de novembro, já são 23 casos.

  • Homicídios na Ilha
6/11 – 3 homicídios
São Luís (2)
São José de Ribamar (1)

7/11 – 6 homicídios
São José de Ribamar (1)
São Luís (4)
Raposa (1)

8/11 – 2 homicídios
São Luís (2)

9/11 – 1 homicídio
São Luís (1)

Já na sexta-feira (6), foram três casos. No bairro da Forquilha, em São Luís, um homem ainda não identificado foi morto a tiros. No bairro de Fátima, região central da capital maranhense, Luís Henrique Silva Feitosa, de 24 anos, foi vítima de arma de fogo. Josinaldo Nascimento Nunes, de 39 anos, foi a terceira vítima do dia, morto a facadas no bairro Cruzeiro, município de São José de Ribamar (MA).

O sábado (7) foi o dia com maior número de mortes no fim de semana: seis ao todo. Na madrugada, Maria José Coelho Campos, de 27 anos, foi vítima de arma branca, no conjunto São Raimundo, em São Luís. Também em São Luís, na Vila Luizão, já pela manhã, Messias Ramos da Silva (28), foi vítima de arma de fogo.

Na tarde de sábado, mais dois casos: Reinaldo Paulo Correa Fernandes, de 30 anos, foi morto a tiros na Vila Janaína, em São Luís; e Denilson Melo Gonçalves, de 20, foi vítima de arma de fogo na Vila Bom Viver, município de Raposa (MA).

Pela noite, mais dois casos: José Carlos Lopes dos Santos, de 37 anos, foi morto a tiros na Vila Kiola, em São José de Ribamar; e Carlos Eduardo da Silva de Jesus, de 19, foi vítima de arma de fogo no bairro Santa Efigênia, em São Luís.

No domingo (8), outros dois homicídios foram registrados em São Luís. No bairro Jardim América, Denilson da Luz Silva, de 21 anos, foi morto com três tiros na cabeça. Um dos tiros acertou de raspão uma criança de apenas três anos de idade quando passeava de mãos dadas com a mãe. E no bairro do Jaracati, Renato Alexandre Silva Ribeiro, de idade não divulgada, foi assassinado.

Na madrugada desta segunda-feira (9), um homem sem identificação foi morto a tiros no bairro Vila Itamar, em São Luís, sendo a vítima mais recente da violência urbana na Região Metropolitana.

Estatísticas
Em outubro, do total de mortes violentas (89), a maior parte foi de crimes violentos letais intencionais (65), sendo 56 vítimas de homicídios dolosos.

Os dados da SSP-MA reúnem informações do Centro Integrado de Polícia e Segurança (Ciops), Instituto Médico Legal (IML) e Sistema Integrado de Gestão Operacional (Sigo).


A estudante Monique Evelle sofreu preconceito por ser mulher e negra. Agora, ajuda a recuperar meninas infratoras (Foto: Edu Lopes/Click de Gente/ÉPOCA, Produção Daniele Verillo, Makeup Adilson Vital)

Lopes/Click de Gente/ÉPOCA, Produção Daniele Verillo, Makeup Adilson Vital)

VIDA

RELATO IV /PRECONCEITO

A estudante Monique Evelle sofreu preconceito por ser mulher e negra. Agora, ajuda a recuperar meninas infratoras

GRAZIELE OLIVEIRA
06/11/2015 – 21h12 – Atualizado 07/11/2015 17hs16 /www.jgmoreira.cm.br

Uma princesa negra, de cabelos crespos livres e que sempre vencia no final – o que não necessariamente significava casar-se com o príncipe. Essa era a personagem principal das histórias que Monique Evelle ouvia da mãe quando criança. A mãe transformava as histórias tradicionais das princesas para confortar a filha, que chegava aborrecida em casa. “Eu sempre tive muito apelido na rua e na escola pelo meu cabelo crespo. Minha mãe usava as princesas para me dar poder, para reagir ao preconceito que sofria na rua por causa do meu cabelo” diz a jovem de 21 anos fundadora da rede Desabafo Social, que trabalha com educação e formação social, em especial de jovens negros, em 22 estados.

Monique mora no bairro Nordeste de Amaralina, periferia de Salvador. Filha de mãe doméstica já aposentada e pai segurança de prédio, as boas notas na escola lhe deram oportunidade de estudar nas melhores escolas da cidade, sempre como bolsista. “Estudei em vários lugares de brancos, e toda vez que tentava colocar meus problemas como mulher negra da periferia era impossível fazê-los entender”, afirma. Nos corredores da escola de música, aos 14 anos, ela ouvia que, por ser negra, deveria ser “boa de cama”.

>> Cobertura especial: #PrimaveradasMulheres 

Aos 12 anos de idade, quando passeava pela orla da praia de Amaralina com a mãe, um homem gritou “gostosa” para a menina. “Eu congelei e minha mãe veio correndo para me defender dizendo que eu era criança e que aquilo era um absurdo. Depois daquilo minha mãe disse que eu ainda ia receber muito elogios na minha vida – alguns agradáveis e muitos dessa forma – e que eu precisaria reagir, que não poderia ficar calada, pois aquilo era errado”, afirma. Monique se lembra de ver a mãe ser vitima desse mesmo tipo de assedio pelas ruas de Salvador.  “Quando os assediadores viam que meu pai estava junto, pediam desculpas para ele. Ela ficava indignada e ia cobrar do agressor que as desculpas fossem dirigidas a ela”, afirma.

Os assédios continuaram pela vida adulta. No Carnaval de 2013, em Salvador, Monique seguia por uma rua quando foi puxada por um homem. “Ele me encurralou em um carro tentando me beijar a força. Dizia que se eu não estivesse disponível não estaria ali”, afirma Monique. Foram longos minutos tentando se desvencilhar do abusador até que um amigo, como num milagre, apareceu. “O cara ainda pediu desculpas pro meu amigo, por acreditar que se tratava do meu namorado”, diz.

Um ano depois, em 2014, quando cursava o primeiro semestre de política e gestão da cultura na Universidade Federal da Bahia, sofreu outra agressão. “Peguei um ônibus e sentei ao lado de um homem branco, alto. Ele colocou a mão na minha coxa e começou a me acariciar. Levantei e dei um tapa na cara dele gritando”, afirma Monique. Aos berros de “Você é louco?” e de “Você deveria ser preso!” o homem levantou-se para ir embora, mas Monique, do alto dos seus 1,64, bloqueou a passagem do grandalhão acovardado. Todos no ônibus foram para cima dele gritando “abusador!” e “estuprador!”. “Quando começaram a avançar para linchar o homem, eu saí da frente para ele fugir”, diz Monique. O agressor fugiu sem punição, e Monique ficou ali com mais aquela agressão para lidar sozinha.


Tony Ilha, vocalista da banda Erva Daninha, morreu após levar um choque elétrico (Foto: Arquivo Pessoal)

Tony Ilha, vocalista da banda Erva Daninha, morreu após levar um choque elétrico (Foto: Arquivo Pessoal)

08/11/2015 13h50 – Atualizado em 08/11/2015 18h23 / www.jgmoreira.com.br

Tony Ilha era vocalista e guitarrista da banda Erva Daninha.
Ele tinha 43 anos e deixa seis filhos.

Joyce MackaySão Luís, MA

O vocalista e guitarrista da Banda Erva Daninha, Tony Ilha, morreu neste sábado (7) após levar um choque elétrico enquanto consertava um microfone. Ele estava na sua casa no bairro Maiobão, na região metropolitana de São Luís.

Segundo o amigo do músico Josué Souza, a filha de Tony, de seis anos, foi a primeira a encontrá-lo. “Ela disse para a mãe ‘o papai está brincando de morto’. Eles costumavam brincar assim. Quando a mulher dele percebeu que não era brincadeira chamou uma amiga da rua que é enfermeira para socorrê-lo”, contou.

O Serviço de Atendimento Móvel de urgência (Samu) foi acionado às 1h35, porém, a família disse que o atendimento demorou mais de 30 minutos para acontecer. Quando a equipe chegou ao local o músico já estava sem vida.

Josué contou ainda que o laudo do Instituto Médico Legal (IML) atestou que as artérias de Tony foram queimadas por causa do choque, o que para ele é estranho por se tratar de um aparelho de microfone.

“Não tem como um microfone dar um choque desses. Ele ficou com uma queimadura de um palmo no peito. Eu nunca vi, nem soube de alguém que tenha morrido por causa de um choque causado por um microfone”, disse Josué.

Tony Ilha tinha 43 anos e deixa seis filhos. O enterro está marcado para às 14h deste domingo.


Kelly Cristina Pereira e a filha dela, Kassia Fabíola Pereira de Oliveira (Foto: Arquivo Pessoal)

Kelly Cristina Pereira e a filha dela, Kassia Fabíola
Pereira de Oliveira (Foto: Arquivo Pessoal)

Adolescente, de 14 anos, foi assassinada neste sábado (7) em Ceará-Mirim.
Ex-namorado da garota, um rapaz de 19 anos, é procurado pela polícia.

Anderson BarbosaDo G1 

Kelly Cristina Pereira e a filha dela, Kassia Fabíola
Pereira de Oliveira (Foto: Arquivo Pessoal)

“Só peço justiça. Minha filha não merecia o que ele fez com ela”. As palavras são da dona de casa Kelly Cristina Pereira, de 33 anos, ao falar do ex-namorado da filha dela, um rapaz de 19 apontado como principal suspeito de assassinar a garota. Kassia Fabíola Pereira de Oliveira, de 14 anos, foi encontrada morta por volta as 14h30 deste sábado (7) em uma estrada de terra na zona rural de Ceará-Mirim, município da Grande Natal. Perícia feita no corpo aponta que ela foi degolada.

Segundo o delegado Sérgio Freitas, da Delegacia Especializada de Homicídios (Dehom), a última pessoa a ser vista com Kassia foi o ex-namorado dela. “Ele é o principal suspeito e é considerado foragido, já que não foi encontrado até o momento. Porém, enquanto não tivermos a certeza de que foi ele quem a matou, é mais prudente mantermos sua identificação no anonimato”, ponderou.

Uma tia de Kassia foi quem conseguiu dar mais detalhes do crime. Ao G1, Caroline disse que a sobrinha trabalhava como babá, momento em que o ex-namorado dela apareceu numa motocicleta e a forçou a sair com ele. “Ela só foi porque ficou com medo dele aprontar algum barraco no trabalho dela. Tenho certeza disso. Então ela deixou a criança com uma irmã e subiu na moto. Foi por volta das 12h. Passou algum tempo e o patrão da Kassia na casa dela, já que ela havia saído e ainda não tinha retornado. Depois, soubemos que ele (o ex-namorado) ligou pra uma outra sobrinha minha dizendo que tinha matado a garota. Desde então ele sumiu. Ninguém sabe pra onde ele foi”, finalizou a tia.

Além de Kassia, Kelly tem outros três filhos. Uma adolescente de 15 anos e dois garotos, sendo um de 11 e outro de 6 anos.

Amigos e parentes de Kassia se despedem dela desde o início da manhã. O sepultamento acontece no final da tarde, no Cemitério Público de Ceará-Mirim.


DEFENSORIA

Concurso DPU 2015 – 143 vagas abertas – Níveis médio e superior

Foi publicado, no Diário Oficial da União desta sexta-feira (30), o comunicado de retomada do concurso da Defensoria Pública da União (DPU), que foi suspenso em maio deste ano. Com isso, estará reaberto, a partir das 10h do dia 9 de novembro, o prazo para se inscrever na seleção.

Nível médio é o requisito da carreira de agente administrativo, que dispõe de 105 ofertas para início imediato e apresenta remuneração de R$ 3.817,98.

Para os candidatos com formação superior as chances são para as funções de analista técnico-administrativo (34 + CR), arquivista (CR), assistente social (CR), bibliotecário (CR), contador (1 + CR), psicólogo (1 + CR), sociólogo (CR), técnico em assuntos educacionais (CR) e técnico em comunicação social – jornalismo (1 + CR) para ganhar R$ 5.266,18.

A função de economista (1) da Defensoria Pública União oferece salário de R$ 6.348,27 e também exige concorrentes graduados.

Todas as vagas do concurso da DPU são para trabalhar 40 horas semanais e o valor dos salários já inclui gratificação de desempenho e R$ 751,96 referentes ao auxílio alimentação.

As oportunidades estão distribuídas nos 26 Estados do país e no Distrito Federal, sendo que São Paulo concentra o maior número de vagas (31 ofertas), seguido pelo Distrito Federal (23) e pelo Rio Grande do Sul(17). Os Estados do Amazonas, Ceará, Goiás, Paraíba e Piauí contam apenas com ofertas para cadastro de pessoal.

Como se inscrever no concurso
Interessados poderão garantir participação no concurso da DPU até o dia 22 de novembro, por meio do site do Cespe/UnB (www.cespe.unb.br), organizador do processo seletivo.

As taxas de inscrição são dDEFENSORIAe R$ 70 para cargos de níveis médio e R$ 100 para aqueles que exigem nível superior.


A jornalista Ana Carolina Nunes ajudou o Metrô de São Paulo a criar uma campanha contra o assédio às mulheres nas estações e nos vagões (Foto: Edu Lopes/Click de Gente/ÉPOCA, Produção Daniele Verillo, Makeup Adilson Vital)

(Foto: Edu Lopes/Click de Gente/ÉPOCA, Produção Daniele Verillo, Makeup Adilson Vital)

VIDA/Revista Época

Relato III.

A jornalista Ana Carolina Nunes ajudou o Metrô de São Paulo a criar uma campanha contra o assédio às mulheres nas estações e nos vagões

HARUMI VISCONTI, COM EDIÇÃO DE MARCELA BUSCATO
06/11/2015 – 20h33 – Atualizado 06/11/2015 12hS 43 / WWW.JGMOREIRA.COM.BR

“Desespero”. Foi isso que a jornalista Ana Carolina Nunes, de 24 anos, sentiu ao ouvir as notícias de abuso sexual no metrô, no ano passado.Todos os dias, o metrô atende mais de 4 milhões de pessoas. Dessas, 55% são mulheres. Os registros de abuso e tentativa de estupro nas dependências do metrô subiram de 65, de janeiro a agosto de 2014, para cem, no mesmo período deste ano. Moradora do bairro da Saúde, na Zona Sul de São Paulo, Ana circula pela cidade sobre trilhos. E assim como muitas – se não a maioria – das usuárias do metrô paulista, a jornalista já passou por situações semelhantes às das mulheres do noticiário. “É uma coisa que todo mundo sabe que acontece. Toda mulher que anda de transporte público, se não passou por isso, conhece alguém que já passou”, afirma.

A experiência no mestrado em Políticas Públicas ajudou Ana a montar um plano de comunicação para o metrô, alertando sobre o assédio contra mulheres no transporte público. Com a ajuda da amiga Nana Soares, Ana apresentou um projeto que prevê a divulgação da campanha nos trens e estações do metrô, além do aprimoramento dos canais de denúncia e treinamento dos agentes. Hoje, frases como “Você não está sozinha. Estamos juntas contra o abuso sexual” estampam cartazes e monitores dos vagões. Mas até chegar aos passageiros – mais de um ano depois que foi protocolado – o projeto de Ana passou por muitos departamentos até ser finalmente implementado, em agosto deste ano.

“O processo de convencimento não foi árduo, mas existia uma resistência inicial em reconhecer que o problema era deles”, afirma. “Eles nunca saberiam o quão grave era esse problema a partir do que é notificado oficialmente. Nos casos de violência contra a mulher, é ela quem, na maioria das vezes, é tida como culpada pelo abuso que sofreu”, diz. Não raro, Ana era uma das poucas mulheres nas inúmeras reuniões com o metrô. “Esses espaços são extremamente masculinos. Quando você avisa que tem um monte de mulher sendo abusada dentro do serviço deles, parece coisa de outro mundo”, afirma.

Ana demorou em se reconhecer feminista. Foi na faculdade que resolveu abraçar o nome. “Fui me descobrindo feminista a cada situação que tolhia minha liberdade”. Na adolescência, Ana resolveu por em xeque o estereótipo feminino: andava descabelada, sentava de perna aberta, praticava esportes e falava abertamente sobre sexo. Quando alguém lhe dizia que aquilo não era coisa de menina, tinha a resposta pronta: “Esse é meu jeito e eu não vou mudar quem eu sou”, dizia.

Vítima e testemunha de assédios sexuais no transporte público, Ana decidiu enfrentar o tabu que é o direito da mulher ao próprio corpo. “”As mulheres podem votar e trabalhar, mas não usar o metrô porque podem ser violentadas. Não posso ir à balada com a roupa que eu quiser porque posso ser agarrada por um homem que acha que tem direito sobre meu corpo”, Para Ana, a igualdade entre homens e mulheres só acontecerá se cada vez mais mulheres ocuparem e disputarem os espaços – sejam eles no mercado de trabalho, na política, na universidade, na rua. E é dessa mudança que Ana quer fazer parte.


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AMANTES EM SEGREDO

Quero te amar como ninguém ainda te amou;

Quero teu corpo só meu, quero ter-te sem fim;

Quero você como se fosse um pedaço de mim;

Quero amar-te até desconhecer no tempo a razão;

 

Quero descobrir em ti o que ninguém encontrou;

Divagar contigo por entre flores do jardim;

Colhendo as mais perfumadas que o jasmim;

Para que descubra quem por ti se apaixonou.

 

Quando te vejo:

Imagino alguém que completaria meu ego;

(um corpo febril, desejo incontido e o sexo a bel-prazer)

Meu conteudismo insaciável, musa, ninfa… Você!

 

E se não me amas por medo

Guarda de mim este secreto desejo:

Seremos sempre amantes a viver em segredo!

(JGMoreira)


A baiana Liliane Oliveira foi violentada na faculdade. Hoje, ela faz parte de um grupo para lutar pelos direitos femininos (Foto: Márcio Lima/ÉPOCA)
(Foto: Márcio Lima/ÉPOCA)

VIDA

RELATO II /ESTRUPO

A baiana Liliane Oliveira foi violentada na faculdade. Hoje, ela faz parte de um grupo para lutar pelos direitos femininos  (Revista Época)

GRAZIELE OLIVEIRA
06/11/2015 – 20h48 – Atualizado 06/11/2015 11 hS 35 /WWW.JGMOREIRA.COM.BR

Integrante da Marcha das Mulheres, movimento internacional que combate a mercantilização dos corpos femininos, a designer baiana Liliane Oliveira, de 32 anos, sofreu na infância todo tipo de assédio em suas longas caminhadas entre a casa e o colégio, em Salvador. Algo mais grave aconteceria depois. Ela ainda era caloura no curso de serviço social da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 2007, quando decidiu, com um grupo de colegas, disputar a eleição para o diretório central de estudantes.

Sacramentada a vitória, os membros da chapa foram comemorar em um bar perto do campus. Como Liliane morava longe do local, aceitou o convite para dormir na casa de um amigo de faculdade, dividindo o mesmo quarto. Suas lembranças do episódio são chocantes.  “Eu estava consciente. Meu amigo fechou a porta, cada um deitou no seu canto do quarto e dormimos. Acordei com o movimento de alguém me pressionando. Meu vestido estava no meu pescoço, a minha calcinha no joelho e havia um cara em cima de mim prestes a me penetrar”, diz Liliane, então com 23 anos. Quando se deu conta da situação, ela gritou desesperada, até que o amigo que dormia no mesmo quarto acordou e veio acudi-la, juntando-se a ele outras pessoas que estavam na casa. “Eles expulsaram o agressor, enquanto eu esta aos prantos”, diz ela. “Mas a história não tinha acabado. Ainda tive que ouvir do meu amigo que eu estava querendo. Naquele momento, ninguém me apoiou a denunciar meu estuprador”.

>> Cobertura especial: #PrimaveradasMulheres

Somente algumas semanas depois Liliane conseguiu romper o silêncio autoimposto e contou o nefasto episódio a uma amiga. “Choramos juntas. Ela me encorajou a denunciar, mas eu não tinha confiança para ir a uma delegacia. Ia sofrer ao contar aquilo tudo para eles. Não existia a Lei Maria da Penha nem o debate que temos hoje”, recorda. “Ter passado por essa experiência sem denunciá-la é parte desse processo de naturalização da violência contra a mulher.”

Naquele mesmo ano, tornou-se uma ferrenha ativista da causa. “Comecei a me entender melhor e a ver o que era o combate à violência contra a mulher. Desde então, procuro acolher as vítimas que passaram pelo que eu passei. Eu fiquei mais dura, mas agora sei o que fazer”, afirma Liliane. A segunda vez que conseguiu falar do assunto foi dois anos depois, em 2009, para ajudar outras meninas. Monique participava do Fórum Social Mundial de 2009, em Belém, quando uma outra jovem foi abusada durante o encontro. “Em uma roda de discussão da Marcha da Mulheres o assunto veio a tona e eu dei meu depoimento”, afirma.

Por que Liliane persiste, apesar da dor? “O que não me fez desistir foi o sentimento de indignação. Achei que estaria segura na Universidade, com companheiros do meu lado. Mas não estava”, diz.