Quando li algo sobre o gentílico de quem nasce em São Bento, publicado por Álvaro Urubatan Melo, foi observado que o “ablativo” tem lógica, mas não se aplica ao caso dos gentílicos. Por isso, fui pesquisar e consultar alguém que sabe mais do que eu. Não sou filólogo, mas, por se tratar de um assunto simples, resolvi dar a minha parcela de colaboração.

Lamento profundamente que o Sr. Álvaro Urubatan Melo tenha sido atingido, criticado por uma Mestra. Mas se entende que Ele, o nosso Vavá, sempre esteve envolvido com a Cultura de nossa terra, tentando esclarecer ou dirimir dúvidas sobre a nossa História. Tentar acertar, mesmo não obtendo o sucesso almejado, não é demérito para ninguém! Como já tinha mencionado, fui auxiliado por um amigo, o Professor Marco Santiago. Inclusive, esse tema fará parte do seu novo trabalho. Então leiam a conclusão sobre o nosso enigmático gentílico, transcrito abaixo.

A exposição sobre a mudança do “ablativo” (componente que pode ser tirado) das palavras de origem latina, onde a letra “o” é substituída pela letra “u”, tem lógica, mas existem também, muitos sufixos de origem grega, o que causa algumas exceções. Isso, no entanto não justifica dizer “bentUense”, pois entra na regra, segundo Bechara, Cegalla e Pestana, da formação de palavras com sufixos Nominais, Verbais e Adverbiais. No caso dos gentílicos, vale a regra do grupo de sufixos nominais, onde o Adjetivo se forma de um Substantivo, aproveitando a Raiz e substituindo a Vogal Temática pelo Sufixo. Exemplo: Bento = Raiz(Bent) – o (Vogal temática) + ense ( sufixo).

Segundo Cegalla (2008, p 104), os Adjetivos Pátrios servem para exprimir a naturalidade ou origem de alguém e são formados pelo acréscimo de alguns sufixos nominais, como: -ano, -ão, -eiro, -ense, -eu, -ês, -esa, -ino. Exemplo: – colombiano – alemão – brasileiro – paranaense – europeu – irlandês – holandesa – argentino. Em alguns casos mantém a vogal temática (paranAense), em outros exclui a vogal (catarinEnse). Não existe uma regra, é apenas uma questão de estética. Veja como não soaria bem se fosse: “paranense” e “catarinaense”. Como São Bento é uma palavra composta por dois substantivos (Santo/São mais Bento) e que formará um adjetivo, esse também será uma palavra composta, com hífen, obedecendo a regra gramatical: “Adjetivos pátrios derivados de cidades ou estados brasileiros, que têm mais de um nome, devem ser grafados com hífen” (Piacentini, 2010); (Bechara, 2009, p 96).

Portanto, a grafia correta para o gentílico de quem nasceu em São Bento é – “São–bentense”. Lembrando ainda, que se esse adjetivo fizer parte de um nome próprio, como “Club São–Bentense”, por exemplo, todas as letras iniciais são maiúsculas. “São–bentense” é o gentílico de quem nasceu em São Bento – Portugal, Pátria mãe do nosso idioma. E mais: São–Bentoense está errado! Se assim o fosse, que tal “Mato-grossoense”…

 

Por José Raimundo.Moreira e Marco Santiago