A MULHER BRASILEIRA

 

Mulher brasileira, simbolo de tenacidade, coragem, persistência e amor

Elegante sem saltos, sem sombras e com olhares…Não importa a cor

Uma sensibilidade pronta para disparar com pura e oculta beleza

Digna por excelência, sem depender de nada, pujante leveza

Mulher, coragem do medo, medo da coragem, um sentimento que traz

Figura que inveja o corpo, a pintura, as vestes e o alisar dos cabelos

São as Marias que sentem de tudo, mas só por excesso de zelos

Eis aqui os teus sentimentos de caridade e amor costumas!

Mulher, dona do poder de criação, uma benção de Deus, pelo acalento

Só a ti, mulher, o sublime, o divino poder do privilégio do amamento

Deleite-se na mangedora, mulher, e cultive esse sentimento só seu

És a perfeição do Universo, filha da naureza, pinte os lábios teus

Autor: José Raimundo Moreira


 

Viva a Baixada

*Por Natalino Salgado

Na semana passada, fui alcançado por diversas mensagens de baixadeiros que se identificaram com o artigo que aqui publiquei, constatando que há naquela região uma terra santa. Fiz referência ao meu torrão natal, minha amada Cururupu; mas diversos leitores me disseram que a descrição que apresentei os fez recordarem de suas próprias cidades natais, dadas as semelhanças dos aspectos geográficos que irmanam cada uma das cidades da Baixada Maranhense.

Uma obra que também pode fazer surgir esse amálgama de sentimentos, por elencar uma série de escritos de elementos nostálgicos comuns, atende pelo nome de Ecos da Baixada – coletânea de crônicas sobre a Baixada Maranhense, e que se constitui numa daquelas iniciativas que a arte, na forma de literatura, pode se propor, quando tudo o mais, ao longo de anos, falhou por incontáveis razões. O eco é aquilo que reverbera, mesmo depois da fonte originária ter cessado. Ele ricocheteia e se espalha, repetindo a palavra várias vezes, para que seja ouvida e, quem sabe, desperte em seus ouvintes passivos, esquecidos e alheios, a atenção necessária.

A publicação é uma iniciativa do Fórum da Baixada Maranhense e reúne uma plêiade de baixadeiros escritores, amantes de sua terra que, a despeito da riqueza natural, da diversidade multifacetada de mar, terra, rios, florestas, lagos, flora e fauna, de ter uma riquíssima cultura – até um sotaque peculiar, um léxico de palavras únicas – tem amargado, ao longo de seus breves séculos de ocupação, o esquecimento e um desenvolvimento espasmódico que alcançam, só precariamente, sua gente lutadora.

Ler o livro é fazer uma impressionante viagem por todos os rios e ter à mão uma ictiografia detalhada. Confesso que aprendi mais nomes de árvores que em todas as minhas leituras anteriores. O livro é feito por apaixonados que foram reunidos por iniciativa do advogado – devo acrescentar o epíteto embaixador baixadeiro? – Flávio Braga, presidente do Fórum.em língua inglesa. Os exemplos na história europeia são numerosos, mas atualmente recordamos os ligados à erupção do nacionalismo entre as duas guerras, como o tragicamente ridículo “paz no nosso tempo “, a declaração do primeiro-ministro britânico Chamberlain em 1938, após a assinatura do acordo com Hitler em Munique.

A propósito, a palavra baixadeiro é desconhecida pelos dicionários com o sentido carinhoso que aqui menciono, como uma designação, uma naturalidade. Mas encontrei a palavra associada a um tipo de cavalo rústico, que se desenvolveu naturalmente, e por alguma intervenção humana, justamente em nossa baixada, desde o Brasil Colônia. É um animal pequeno, resistente, totalmente aclimatado aos extremos de seca e cheia da região. É uma raça antiga e um patrimônio genético que honra a comparação com habitantes da região, no aspecto tenacidade e resistência às intempéries.

Na obra que mencionei – ainda inédita – há ao mesmo tempo um toque de tristeza, quando se lê, por exemplo, na crônica de Nonato Reis, um lamento pelo Rio Maracu que, como outros no Maranhão, e talvez em estado mais grave, morre à míngua ano a ano. Mas toda a hidrografia da Baixada está gravemente comprometida e as iniciativas até hoje são, na melhor das hipóteses, tímidas.

O Ecos da Baixada deve ser distribuído nas escolas, na esperança de que crianças e jovens sensibilizados, se tornem ainda agora aqueles que farão de suas jovens vidas ecoar o chamado, não para salvar a natureza manifesta na Baixada, mas para se harmonizarem com ela, como se seus rios e igarapés fossem as veias que irrigam suas vidas.

A pena destes escritores, que integram a obra, faz as vezes de gritos proféticos. Clamam pelos rios como os elementos fundamentais de todo um ecossistema único e que arqueja, como se fosse a materialização das palavras do apóstolo Paulo que, em sua Carta aos Romanos, diz: “Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto.” (Romanos 8:22).

Quem nasceu naquele lugar sabe do que falo. A baixada, a despeito de todos os maus-tratos a que foi submetida, vive e resiste. Viva a Baixada!

*Médico, doutor em Nefrologia, ex-reitor da UFMA, membro da AML, ANM, AMM, IHGMA e SOBRAMES.

 


FECHANDO A SEMANA  / Vasculhando arquivos me deparei com esse  texto de extrema delicadeza no trato  das letras realmente lindo  poema escrito pelo meu irmão , escritor  e poeta José Raimundo MoreiraDADIVA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A vida e o fio do prumo

                          Mas agora que a vida me presenteia com os anos que tenho. Idade permeada de virtudes, defeitos e de longos percursos caminhados sem destreza à procura do equilíbrio, é que me dei conta de que a vida do passado, hoje, se confunde com presente. Isso porque, no passado, fui presente, entretanto, no presente, ainda cultuo o passado.

                         O que me foi ético e moral, para os inescrupulosos é antiético e imoral. Mas para os conservadores é mais um drama social. Os conceitos positivados que me foram impostos na minha imaturidade tornaram-se, hoje, para mim, tão diminuídos por força da modernidade. Talvez por isso não me sinta mais à vontade para rever os preceitos passados, mas me contentar com o presente, só infinitamente o presente.

                         Não terei mais tempo disponível para especular sobre o melhor momento. Este é incerto. Não terei mais tempo para ver o melhor futuro porque este é presente. Há esperança de que o presente seja o futuro do passado. Assim, a vida se tornará mais romântica, menos indiferente, mais humana e mais solidária. O que se pretende é prumo e não a perda da compostura; quer-se a perspicácia, a prudência do passado no presente futuro.

Autor: José Raimundo Moreira